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P711 - A influência das Artes sobre a Civilização – Pano de boca do Theatro Municipal do Rio de Janeiro


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Visconti assinou "E.A.VISCONTI 1908", na base da estátua que representa a poesia.

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Negros no pano de boca
Negros no pano de boca

Em junho de 1905, Visconti recebeu do Prefeito do então Distrito Federal, Engº Francisco Pereira Passos, o convite para executar todas as decorações da sala de espetáculos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Além do pano de boca, foram executadas por Visconti as decorações do plafond (teto) sobre a platéia, do friso sobre o proscênio (acima da boca de cena) e dos triângulos do teto. Os trabalhos foram realizados em Paris, entre 1905 e 1907, em atelier alugado que pertencera a Puvis de Chauvannes, em Neuilly. Numa segunda etapa, entre 1913 e 1916, Visconti executaria também as decorações do foyer do Theatro.
O tema para o pano de boca, “A influência das Artes na Civilização”, foi desenvolvido em termos alegóricos, sendo um dos mais monumentais trabalhos do gênero. O pintor utilizaria figuras femininas para representar a arte, a ciência, a verdade, a música, a dança e a poesia, em composição de notável equilíbrio, complementada por retratos de grandes vultos da cultura nacional e universal. Em sua tese de doutorado intitulada “A influência das artes na civilização: Eliseu d’Ângelo Visconti e modernidade na primeira república”, Ana Heloisa Molina prioriza o tema para execução do pano de boca e apresenta análise das ideias de civilização e modernidade no período da História do Brasil denominado de Primeira República, sob o enfoque da trajetória artística e produção pictórica de Eliseu Visconti
Concluído, o pano de boca foi exposto em Paris, entre 20 e 28 de julho de 1907, no atelier do artista. Compareceram à abertura da exposição cerca de trezentas pessoas. Lá estiveram o ex-Presidente Rodrigues Alves, que um mês antes já havia visitado o atelier de Visconti na companhia do prefeito Pereira Passos, além de diversas personalidades brasileiras que se encontravam em Paris. Visconti recebe com satisfação os elogios da crítica francesa, mas, antes de embarcar para o Brasil com seus trabalhos, sabe que sua obra sofreu pesadas críticas publicadas na imprensa do Rio de Janeiro, estimuladas por alguns brasileiros residentes em Paris, insatisfeitos com o que haviam visto no pano de boca: três figuras de negros participando da massa de populares que exaltam o grande cortejo histórico.
As críticas, se não atacavam a capacidade de Visconti como artista, questionavam o conteúdo das obras e, por conseguinte, revelavam os ideais da nova república, que não desejava expor seu passado escravista – na figura dos negros – ou o passado monárquico recente – na figura de D. Pedro II. Visconti, ao representá-los no pano de boca, colocando lado a lado os populares negros e figuras ilustres, comprovou não estar alinhado entre aqueles que desejavam ingressar na modernidade ignorando as inevitáveis contradições.
Clique aqui para mais informações sobre o pano de boca do Theatro Municipal.


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