CR1905 - Carta de Francisco Guimarães comunicando a Visconti o convite para executar as decorações do Theatro Municipal – 16 de junho de 1905

  • Tipo de Documento Correspondências - De 1901 a 1920
  • Ano 1905
  • Acervo Museu Nacional de Belas Artes - Rio de Janeiro

CR1905 - PAG. 2Eliseu Visconti encontrava-se em Paris quando recebe o convite para executar as decorações do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O prefeito não o conhecia pessoalmente, mas já apreciava seus trabalhos, tendo pesado a favor de Visconti o fato de estar em Paris, acompanhando as inovações artísticas. A escolha do jovem artista para tão importante tarefa receberia críticas dos admiradores de artistas mais consagrados à época.
O convite formal viria por esta carta do amigo comum Francisco Guimarães, transcrita abaixo. O missivista seria Francisco da Silva Mendes Guimarães, cunhado do senador Joaquim Murtinho e padrasto de Laurinda Santos Lobo. Laurinda, sobrinha do senador, se tornaria uma das maiores mecenas das artes na cidade do Rio de Janeiro, no início do século XX, recebendo intelectuais e artistas nas dependências do seu antigo palacete, no bairro de Santa Teresa, na cidade do Rio de Janeiro. Na ocasião, Francisco Guimarães participava do longo projeto para construção de uma Paris no Rio de Janeiro, iniciado por Pereira Passos. E escreveu para Visconti:

Rio, 16 de junho de 1905
Meu caro amigo e Sr. Visconti,
Sei por seu irmão que goza de excelente saúde, e, pelos jornais, que tem expostos dois belos retratos no Salon. Desejo-lhe mil venturas.
O Engº Francisco de Oliveira Passos, autor do projeto e construtor do Theatro Municipal, encarregou-me de escrever-lhe pedindo o seu auxílio na execução dessa obra que ele deseja que seja digna da bela capital que será o Rio de Janeiro. O teatro está se fazendo e cresce a olhos vistos, e vai ser um primor. O Passos diz e, com razão: a idéia principal é minha, mas quero que os artistas brasileiros dignos desse nome, liguem os seus nomes à obra. Perguntando-me quais eram na minha opinião os artistas capazes de decorar o Teatro, eu disse em presença de várias pessoas conhecidas, e mais tarde em minha casa: – Só conheço dois: o Visconti, em primeiro lugar, e o Henrique Bernardelli em segundo. – Mas o Visconti está longe. – Tanto melhor, está em Paris, refrescando e consolidando as idéias, vivendo enfim. Ninguém como ele trará melhores projetos. – Pois você está autorizado a escrever ao Visconti dizendo-lhe que venha e que traga já algumas idéias, porque eu vou incumbi-lo de decorações importantes para o Theatro.
Já comuniquei esta minha iniciativa ao seu irmão Ângelo, e hoje ao nosso amigo Vieitas, que ficou contentíssimo.
Está cumprida a minha missão e espero que será coroado de êxito, para bem da arte brasileira, da qual é o amigo ornamento brilhante. (…)
Que notícias me dá do meu vaso que foi para São Luiz?

Adeus. Até breve.
Disponha do (…) admirador e amigo,
Francisco Guimarães. Quitanda 85.

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