CR1907D - Carta de Eliseu Visconti a Francisco Oliveira Passos comunicando que poderá realizar a exposição dos trabalhos do Theatro em seu atelier de Paris – 4 de julho de 1907

  • Tipo de Documento Correspondências - De 1901 a 1920
  • Ano 1907
  • Acervo Centro de Documentação da Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro

 

Páginas 2 e 3
Páginas 2 e 3

O pano de boca e os demais trabalhos para a sala de espetáculos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro foram expostos pela primeira vez em Paris, entre 20 e 28 de julho de 1907, no atelier do artista. Embora envaidecido com os insistentes pedidos para mostrar seus trabalhos ainda na capital francesa, Visconti não pretendia realizar essa exposição, pois o contrato de aluguel do atelier expirava em 15 de julho e o novo inquilino negava-se a permitir que o prazo fosse prorrogado por um dia sequer. Sabe-se, por carta encaminhada a Francisco Oliveira Passos [CR1907C], que Visconti não admitia realizar a exposição em outro local, temendo pela integridade de suas obras.
Mas o fato é que, de alguma forma, como comunica nesta carta, Visconti conseguiu dobrar a teimosia do novo inquilino do atelier e, na data marcada, puderam comparecer à abertura da exposição cerca de trezentas pessoas. Lá estiveram o ex-Presidente Rodrigues Alves, que um mês antes já havia visitado o atelier de Visconti na companhia do prefeito Pereira Passos, além de diversas personalidades brasileiras que se encontravam em Paris.
Também as despesas por conta das fotografias das decorações foram tratadas nesta carta de cinco páginas manuscritas, integralmente transcrita abaixo.

Páginas 4 e 5
Páginas 4 e 5

Paris, 4 – 7 – 907
Illmo Snr Dr Francisco de Oliveira Passos Architecto do Theatro Municipal do Rio.
Em carta de 20 de junho passado expunha-lhe os motivos de se não poder effectuar n’esta Capital uma exposição das pinturas decorativas do Theatro Municipal.
O impedimento principal consistia em eu ter de largar o meu atelier a 15 do corrente.
Graças não sei a que felicidade pude obter do novo locatário o atelier por mais dois mezes. É excusado dizer-lhe o contentamento que isto me causou, não só no que diz respeito á exposição como á calma e tempo necessarios para o acabamento dos mesmos.
A exposição só poderá ser feita durante o mez de Julho porque o verão afasta de Paris todas as pessôas interessadas.
As dispesas para a realização da exposição são insignificantes, e creio não exceder de dois mil francos (2.000 fcs) O que viria a custar de seis a oito mil francos si a exposição fosse feita fóra do meu atelier.
A falta de tempo de communicar-lhe e ter uma resposta immediata obriga-me a tomar toda a responsabilidade d’estas dispesas, porém tendo certeza de que o Dr me comprihenderá e tomará as medidas necessárias e urgentes para que eu não seje o prejudicado.
O meu principal interesse e fazer reclame do Theatro e sobretudo do Brasil que é infelizmente mal conhecido!
Hoje estive com o Exmo seu pai e expuz-lhe o mesmo que acabo de expôr-lhe n’esta.
Realmente o Dr Passos achou as dispesas minimas e julga que não havera duvida por parte da Prefeitura.
O trabalho photographico de todas as decorações não poderá ser feito por menos de 600. fcs. Ficando o photographo com os clichés e dando-me duas provas de cada cliché.
Haverá pelo menos 16 clichés porém o trabalho é perfeito. O tamanho das photographias varia de 24 x 30 e 40 x 50.
Sobre este assumpto peço-lhe uma resposta immediata.
Sou com estima e consideração
Amigo obrgdo
E. Visconti.

Observação de Oliveira Passos assinalada por cima da página 1:

Respondido C614
23 – 7 – 07 
Pagarei os 600 fcs – mas não concordo com que o photographo fique com os clichés e o direito de reprodução
23 – 7 – 07 F. Oliveira 

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