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P415 - Maternidade


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A localidade "Paris" e a data "906", logo abaixo da assinatura.

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Constantemente exposta à contemplação pública na Pinacoteca, essa pintura é uma unanimidade e, apesar disso, não foi ainda objeto de um estudo mais apurado, como merecia. É, certamente, a pintura de Visconti, excetuando-se suas grandes decorações, que mais lhe custou tempo e trabalho, em pesquisas e estudos preparatórios. No caderno de desenhos de Visconti [CD006], publicado pela Unicamp, em 2008, aparece uma longa série de esboços para essa composição. Em um deles, o pintor experimenta a representação de bebês em várias posições. Em outros nove desenhos, ele experimenta diversos aspectos da figura da mãe, desde seu busto, privilegiando vistas diferentes do chapéu, ângulos diversos, focalizando também a cadeira na qual está sentada, até três mais completos (001, 006 e 007), que incluem ainda o bebê no colo, o carrinho, e uma cadeira vazia; sendo que em um destes, estampado também na capa da publicação, está registrado: “Pesquiza para o quadro ‘Maternidade’/ Paris, 26-7-905/ E.V.” Há também um desenho em que aparece a descrição detalhada das cores que seriam usadas na paisagem do fundo, e o registro: “Paris, 25-7-905”. Terminando a série, mais oito desenhos (028 a 035) de traçado muito rápido, captam uma menina com chapéu brincando no chão, em diversas posições e ângulos, sendo que o mais detalhado deles também recebeu a inscrição: “Pesquiza para o quadro ‘Maternidade’”. Além dos desenhos, existe ainda uma série de pinturas a óleo [P410; P435; P437; P457; P466], realizadas no Jardim de Luxemburgo, ou de alguns detalhes, que provavelmente, e alguns, certamente, foram concebidas visando esta composição maior [P262; P468; P259], de tema tão caro ao pintor [P155; P149]. A grande composição foi exposta no Salon de Paris, em 1906, sob o nº 1204, como Maternité.

Na ocasião em que foi apresentada no Brasil, foi destacada em várias resenhas: “Visconti attrae todas as attenções com a Maternidade, bellissimo quadro, como composição, como desenho e suavidade de cores” (O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1908, p. 21). Quando exposta em São Paulo, produziu efeito ainda maior que no Rio: “Sabemos que havia também a intenção de comprar a grande e esplendida tela de Eliseu Visconti – ‘Maternidade’, que é um dos mais fortes de todos os quadros expostos.” (O Estado de S. Paulo, 12 jan. 1912, p. 2). Este comentário referia-se a um cartão assinado por Amadeu Amaral, e datado de 31 de dezembro de 1911, que consultava o pintor se o preço pedido pela pintura – 6:000$ (seis contos de réis) – não poderia ser modificado, pois queriam que ela ficasse em São Paulo, mas havia dificuldades por questão de verba. Não se sabe a data exata da compra nem o preço final, mas contando com o incentivo da imprensa, a obra acabou sendo adquirida para a Pinacoteca nascente. Sempre foi citada como exemplo da excelência do pintor: Teixeira Leite, em 1988 – “… é sem dúvida das obras mais delicadas, mais poéticas de Visconti”; Ruth Tarasantchi, em 1994 – “Resolveu os problemas com pincelada larga, rápida e desordenada”; Caru Duprat – “Muito além do tema da Maternidade, o assunto da pintura é o contraste das cores, a beleza e a textura dos tecidos e a luminosidade atmosférica. […] Maternidade foi realizada em Paris: as pessoas retratadas são sua mulher e filhos.” Esta última afirmação, repetida de outros autores, merece cuidado. É muito provável que sua futura esposa Louise e sua filha Yvonne, então com quatro anos, tenham servido de modelo para as figuras femininas, porém, até onde se sabe, o casal não teve outro filho, senão em 1910.


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