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P249 - Retrato do Papa Leão XIII


Assinatura

Procedência

1949 – Propriedade do  Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio

Localização Atual Exposições Individuais Comentários

Visconti usa nesse retrato o mesmo recurso aplicado em 1909, em Minha família [P103]. O rosto do papa foi pintado com uma fatura mais lisa, as mãos e as vestes, com tintas mais pastosas e coloridas, enquanto na paisagem ao fundo, onde a cúpula da Basílica domina, foram aplicadas pinceladas dissociadas e maior contraste. Porém, toda a composição é harmonizada com a predominância de tons pastéis. A experiência de Visconti com o divisionismo nos grandes painéis do Theatro Municipal do Rio de Janeiro [P712; P708; P709; P710] é retomada por ele algumas vezes durante sua carreira, e esta seria a mais evidente. Foi dado destaque para a joia no peito do pontífice, e para a emanação da cruz, ao lado de sua mão direita, que ilumina na margem inferior o texto: “LEO XIII / RERUM / NOVARUM”. No catálogo da Exposição Retrospectiva de 1949, o quadro foi registrado com a informação: “Inaugurado no dia do 50º aniversário da “Rerum Vovarum”, 15 de maio de 1941 (Figura na sala de sessões do Tribunal Superior do Trabalho)”. Na verdade, o termo correto é “Rerum Novarum” que em latim significa “Das coisas novas”. A encíclica, escrita pelo Papa Leão XIII, era uma carta aberta a todos os bispos, debatendo as condições das classes trabalhadoras. Trata de questões levantadas durante a revolução industrial e as sociedades democráticas no final do século XIX. Leão XIII apoiava o direito dos trabalhadores formarem sindicatos, mas rejeitava o socialismo e defendia os direitos à propriedade privada. Discutia as relações entre o governo, os negócios, o trabalho e a Igreja. Não se sabe se o quadro foi encomendado, o que é mais provável, ou criado por iniciativa de Visconti e doado ao Ministério, o que também é plausível. Visconti sempre se interessou pelas questões industriais, especialmente sobre a colaboração dos artistas com projetos para uma indústria tipicamente nacional, também pelas mulheres que, precisando trabalhar, seriam aproveitadas numa atividade digna e criativa. Em 2007, a pintura se encontrava no prédio novo do TST, no Salão Nobre do Gabinete do Ministro. O ministro de então retirou o retrato da sala de sessões, porque havia trazido sua própria decoração moderna, da qual o quadro de Visconti destoava. Foi identificada a partir da pequena fotografia do álbum do Projeto Eliseu Visconti, com etiqueta correspondente à numeração do catálogo de 1949.


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