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P008 - Autorretrato 1910


Assinatura

Inscrições

A data "1910", abaixo da assinatura.

Procedência

Coleção Djalma da Fonseca Hermes
Coleção Carlos da Silva Araújo
Adquirida de Carlos Braz Lavoura para o MNBA

Localização Atual Exposições Individuais Publicações Comentários

Aqui Visconti se apresenta caracterizado de pintor, num rara representação sem paletó e gravata. A luz lhe bate nos ombros vindo de trás, iluminando levemente o rosto no seu lado direito, mas mantendo um acentuado contraste de claro-escuro. Pode-se notar o realce nas maçãs do rosto, o que configura um sorriso que não aparece nos autorretratos anteriores, e revela mais segurança e contentamento. É o período em que Visconti ministra aulas de pintura na ENBA, mudou-se com a família para Copacabana, e nasceu-lhe o segundo filho, Tobias. Os pincéis que caracterizam o ofício de pintor aparecem também num autorretrato anterior [P007] e em três realizados nos últimos anos [P027; P029; P026]; acompanhados da paleta, estão em vários outros da década de 1930 [P021; P023; P028; P034].

Na homenagem póstuma feita a Visconti na Academia Carioca de Letras, Carlos da Silva Araujo contou em seu discurso a conversa que teve com o pintor sobre esta pintura: “O Mestre sentiu-se um tanto embaraçado com a posse dêsse auto-retrato por alheia pessoa e fêz questão de me contar como saíra êle de seu atelier. Recebera a encomenda urgente de certo quadro. Faltando-lhe no momento uma grade ou chassis, estendeu a tela a pintar sôbre o auto-retrato. Realizada a encomenda, já não mais se recordava da ocorrência. Entregou o trabalho. Foi pago. A transação ficou concluída. O cliente, certamente, descobriu mais tarde o ocorrido e não teve escrúpulo em vender o quadro adiante. Quanto a mim, informei-lhe da aquisição recente em público leilão da Coleção Fonseca Hermes.” Herman Lima, em artigo publicado no Diário de Noticias,  em 1° de janeiro de 1950, faz um longo e entusiasmado comentário sobre essa tela, declarando: “o que me vem de logo à mente, diante dêle, é certa coisa do ritmo arquitetural dum Rodin. […] Grande, profundo, sedutor arranjo a sangue e negro”.


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