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Assinatura visível somente no verso
InscriçõesTanto a assinatura quanto a inscrição "A meu Nonô Seu pai" foram localizadas no canto inferior esquerdo da pintura e estavam visíveis no cromo datado de 1954, encaminhado ao Projeto Eliseu Visconti em 2020 pela Fundação Bienal (imagem deste cromo nos comentários). No entanto, a assinatura e a inscrição apagaram-se com o tempo e não são mais visíveis a olho nu na nova imagem da obra obtida em 2025, quando a obra reapareceu.
Mas no verso do suporte em madeira da pintura, no canto superior esquerdo, encontrou-se inscrição similar que diz:
"Ao Nonô
seu pai.
Rio, .... maio de 1942.
E. Visconti"
Também no verso, na margem superior central, há uma etiqueta antiga na qual se lê: "COLEÇÃO AFONSO VISCONTI".
Coleção Afonso d’Ângelo Visconti
2025 – Rio Antigo Leilões – Rio de Janeiro, RJ.
Visconti criou mais duas pinturas [P514 e P515] que representam a ladeira onde residiu em Copacabana, entre 1910 e 1944, ano em que faleceu. Diferentemente daquelas, esta paisagem foi realizada num suporte de madeira com orientação vertical, favorecendo a visão do longo caminho que se percorre até a praia. Também aqui não se podem ver tantas edificações como nas outras, porque Visconti registrou a vista que se tinha de um ponto mais ao alto, acima da sua residência, onde ainda a natureza estava mais preservada. Ao lado da mulher no plano mais próximo do observador, pode ser vista uma grande torneira, certamente da mesma bica que aparece em Garotos da Ladeira [P560]. Num estudo [P574] para esta grande obra, também pode ser observada a mesma torneira. Na paisagem aqui em questão, logo atrás das duas crianças que conversam mais à esquerda, um rapaz está chegando com seu balde para recolher a água que será usada na lida diária.

Esta obra, desconhecida até 2020, foi catalogada após ter sido comprovada sua participação na exposição da Sala Especial Eliseu Visconti, organizada por José Simeão Leal para a II Bienal de São Paulo. Isto foi possível após contato com a Fundação Bienal de São Paulo, que encaminhou ao Projeto Eliseu Visconti cromos dos seus arquivos, que mostram as obras de Visconti expostas na Sala Especial. As imagens destes cromos revelaram mais três pinturas de Visconti [P159, P695 e P696], inéditas para o Projeto, além de terem possibilitado a autenticação de um autorretrato [D007].
No catálogo da Sala Especial Eliseu Visconti esta tela está registrada sob o número 33, com indicação de ser de 1933. No entanto, a provável representação na tela do filho Afonso (Nonô), nascido em 1915, e a consequente dedicatória que Visconti fez a ele acima da assinatura permitem estimar a data de 1923 para a pintura.
A imagem do cromo enviado pela Fundação Bienal apresentava uma coloração azulada que não correspondia ao colorido real da obra. Em 2025, a obra foi encontrada numa coleção particular pelo Rio Antigo Leilões, que a apresentou ao Projeto Eliseu Visconti. Foi possível então fotografar a obra com as cores reais e registrar a nova imagem neste Catálogo. No entanto, a assinatura e a inscrição localizadas no canto inferior esquerdo da pintura apagaram-se com o tempo, sendo hoje imperceptíveis a olho nu. Mas descobriu-se no verso do quadro a inscrição indicada acima, com dizeres similares ao da inscrição antiga e também assinada por Visconti.
A Comissão de Autenticação das Obras de Eliseu Visconti aprovou esta pintura na sua 39ª reunião, realizada em 6 de agosto de 2020.