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P325 - Sonho místico


Assinatura

Inscrições

A data "1897", abaixo da assinatura.

Procedência

1910 – Adquirida pelo Museu de Belas Artes de Santiago do Chile

Localização Atual Exposições Individuais Exposições Coletivas Publicações Comentários

Apesar da modelo representada ter seu corpo já bem desenvolvido, o primeiro comentador dessa pintura não teve dúvida de que se tratava de uma adolescente, talvez pela força do símbolo que o pintor colocou na mão da jovem: um ramo de lírios brancos. Recostada sobre um divã, ela tem seu corpo iluminado enquanto o rosto se esconde nas sombras. Uma névoa envolve o ambiente, que é ao mesmo tempo externo e interno, aspectos representados pelo jardim de lírios e pela janela que se abre para o céu. Considerando-se a linha diagonal que estrutura a composição, podemos perceber entre os dois triângulos, os binômios humanidade/natureza, material/volátil ou real/onírico. O toque de vermelho, presente em muitos nus femininos viscontianos, aqui aparece na sinuosa fita de cabelo. Foi designada como Esperança na EGBA, em 1898, porque o seu título original havia sido associado à reprodução de outro nu de Visconti [P311], numa publicação francesa sobre o Salon. Mas o título Sonho místico devia ser bastante caro ao pintor – provavelmente, pelo seu tom simbolista – pois, na próxima ocasião em que a obra foi exposta, na Individual de 1901, ele lhe foi devolvido definitivamente. Além do estudo a óleo [P357], nos arquivos do Projeto Eliseu Visconti há, de um bloquinho de notas [CD004], vários esboços preliminares desenhados, experimentando diversas poses, primeiramente de costas, até chegar a uma posição bem próxima à desta pintura, com exceção do braço e da mão que segura o ramo, que serão estudados em desenhos separados. A posição final é anotada no canto de um outro desenho.

Participou, juntamente com outras duas pinturas de Visconti [P415; P227] e mais catorze itens da seção de Arte Decorativa, da Exposición Internacional de Bellas Artes, que em setembro de 1910, inaugurava o prédio do Museo Nacional de Bellas Artes, em Santiago do Chile. A lista das obras adquiridas pelo governo chileno para seu museu mostra que Sonho místico foi a única obra brasileira adquirida, pela quantia de 4.500 francos. Em 31 de agosto de 2004, saiu pela primeira vez da reserva técnica do Museu em Santiago do Chile, após décadas de confinamento, para ser fotografada em pesquisa acadêmica. Isso possibilitou a retirada do vidro sobre a tela e a observação de seu estado de conservação, que inspirava cuidados. A revista Conserva, nº 9, 2005, do Centro Nacional de Conservación y Restauración, Chile, publicou um artigo que cita como exemplo o procedimento usado na obra de Visconti. Este artigo informa que havia duas capas de proteção sobre a pintura, mas foi possível retirar somente a superior, que apresentava o verniz bastante amarelado, o que lhe dava um aspecto plano, com pouca profundidade, e uma gama de cores tendente ao ocre.


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