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P227 - Retrato da escultora Nicolina Vaz de Assis


Assinatura

Inscrições

A localidade "Paris" e a data "1905", abaixo da assinatura.

Procedência

Coleção José Marianno Filho
1923 – Doação para a Pinacoteca da Escola Nacional de Belas Artes
1937 – Transferida da Pinacoteca da ENBA para o recém-criado MNBA.

Localização Atual Exposições Individuais Exposições Coletivas Publicações Comentários

É considerada a obra-prima da retratística de Visconti, e segundo Adalberto Mattos (abr. 1923): “Da mocidade artistica mereceu a téla a denominação de ‘Gioconda brasileira’, o que muito deve desvanecer o seu autor”. Louvada entusiasticamente por todos os seus comentaristas por mais de um século, desde sua primeira aparição no Brasil, por Gonzaga Duque, até sua recente reprodução (2008), por Ana Paula C. Simioni. Do crítico pode-se destacar: “É, pois, um retrato, mas desses retratos que ficam nos archivos da arte e perpetuam o nome dos seus auctores, porque são mais do que reproducções, são valiosos productos da téchnica, nos quaes se concretisam seguranças de fórma, meritos de palhêta e qualidades surprehendentes de expressão. […] Olha-se-o e difficilmente se lhe retira o olhar, tal o encanto em que se fica…” E da socióloga da arte: “… um retrato de mulher no qual não se acentua a feminilidade, mas o caráter, dotado de personalidade forte e inteligente, qualidades que, não obstante, não a masculinizavam, evitando estereótipos bipolares. Era uma artista que ali estava, mas (e isso precisa ser notado) sem os atributos do métier. Não há buris, espátulas, gesso, macacão ou qualquer outro indicativo do ofício de escultora”.

A retratada (Campinas, 1874 – Rio de Janeiro, 1941) foi aluna de Rodolpho Bernardelli na ENBA e aperfeiçoou-se em Paris, entre 1904 e 1907, onde, no final desse período, morreu seu esposo, o médico Benigno de Assis. Recebeu as medalhas de prata e ouro nas EGBA de 1907 e 1908. Casou-se novamente, em Paris, com o escultor português Rodolfo Pinto do Couto, em 1911. No caderno de desenhos de Visconti, publicado pela Unicamp [CD006], em 2008, estão os primeiros esboços para esse retrato (011, 016, 019 e 041), sendo que em um deles está registrado: “Pesquisa para retrato de Nicolina de Assis/ E. Visconti”. Mais tarde, o pintor comprou da escultora, o terreno à rua Mem de Sá, sobre o qual ergueria um prédio de três pavimentos, com seu atelier, conforme a escritura, datada de 7 de dezembro de 1907. A pintura foi exposta no Salon de Paris, em 1905, sob o nº 1198, como Portrait de Mme de Assis. No Dicionário Crítico da Pintura no Brasil, 1988, foi mencionada em verbete especial, p. 444, e reproduzida na p. 531.


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