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P903 - Baronesa de Guararema


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Coleção Tobias d’Angelo Visconti
Coleção Tobias Stourdzé Visconti

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Retrata a madrinha do pintor, Francisca Monteiro de Barros, Baronesa de Guararema por seu casamento com seu tio Luis de Souza Breves, o Barão de Guararema.
Visconti menino foi trazido da Itália por influência da baronesa de Guararema, aluna de pintura de Victor Meirelles e que se tornaria grande incentivadora e protetora de Visconti.
Segundo Frederico Barata, o precoce talento de Visconti pelas artes plásticas prevaleceu após a baronesa ver um de seus desenhos, representando a figura de uma camponesa romana. A conselho de sua protetora, Visconti deixa de frequentar as aulas de música e abraça os estudos de desenho e pintura. Naqueles idos de 1882, a baronesa era a proprietária do antigo solar da marquesa dos Santos, em São Cristóvão, hoje Museu do Primeiro Reinado. Lá conservava precioso acervo de arte, com certeza mais um incentivo ao jovem Visconti.
Atestam o apreço que a Baronesa sentia pelo jovem Visconti carta que ela escreveu para ele, em maio de 1893, e enviou a Paris.
“Bom Eliseu
[…] É de esperar que, cheio de vida e coragem como és, terás já compreendido tua nobre missão, esquecendo no trabalho as saudades, lembrando-te do futuro brilhante que te abre as asas para conduzir-te à glória de artista notável. Eu Eliseu, se chegasse a ver isto, teria imenso prazer, prazer este que só se pode comparar ao que há de experimentar tua própria mãe […].
Rio, 8 de maio de 1893.”
Falecida em 1898, a baronesa não presenciaria a glória que sua sensibilidade pressagiou para Visconti. Tampouco veria novamente Eliseu, que retornaria ao Brasil somente em 1900.
A historiadora Christiane Senra, em seu trabalho A importância de Eliseu Visconti enquanto artista plástico na construção do sentido de moderno no Brasil, comenta sobre esta obra: “Vemos aí a baronesa, vestida de branco, meio de costas, meio de lado, lendo algo, talvez um livro, acomodada numa rede em tramas claras trançadas. Tudo indica conforto e simplicidade. Não é por acaso que a querida madrinha do pintor é representada numa rede ao invés de estar em pose mais ereta ou elegante, apoiada em um móvel mais austero e formal. O branco intenso da roupa se repete num tecido que está apoiado sobre uma mesa ou aparador um pouco mais ao fundo. Esse branco que se impõe ilumina todo o ambiente. O interior aí descrito é só uma sugestão, sem muitos detalhes, que nos traz a ideia de aconchego e intimidade. A pontinha da janela aberta nos sugere uma massa vegetal abundante que há do lado de fora. Interessante perceber que a luz não está lá fora com tanta presença quanto está no corpo da baronesa. O quadro todo passeia nos tons de terra e madeira. Ora mais intenso, ora mais ameno, os tons terrosos estão aquecendo a atmosfera e envolvendo tudo. A baronesa não tem nenhum traço muito definido, mas tudo que dela emana passa a impressão de serenidade e acolhimento, simplicidade e aconchego. Visconti parece querer nos contar do enorme apreço que tem pelo colo acolhedor da sua madrinha que lhe guardava carinhos de mãe.”


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