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P630 - Hino à Bandeira (Escola Higino da Silveira)


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A localidade "Rio", que não corresponde ao local representado, e a data "940", abaixo da assinatura.

Procedência

Francisca Nivalda de Oliveira Silva
2002 – Doada à PESP por Ricardo Brennand, in memorian de Antonio Luiz de Almeida Brennand Neto

Localização Atual Exposições Coletivas Publicações Comentários
Vídeo sobre as origens da Escola Higino da Silveira em Teresópolis

Visconti fez ao menos três estudos preliminares para esta composição: um desenho [D602], uma aquarela [A602] e um óleo [P656]. O Projeto Eliseu Visconti guarda uma fotografia da fachada da Escola Hygino da Silveira, de Teresópolis, tendo o pintor na escadaria de entrada. Em seus arquivos existem cópias de vários documentos referentes a essa pintura. O primeiro deles, de 1963, é destinado ao prefeito de Teresópolis, e tem o seguinte teor: “Os infra firmados, na qualidade de filhos do finado artista pintor, Eliseu d’Angelo Visconti, desejando vincular e perpetuar sua memória à vida e história da Cidade que foi pelo mesmo tão extremosamente amada e que, durante cerca de um quartel de século, serviu de palco e de musa inspiradora à manifestação de uma das mais destacadas fases de sua fecunda vida artística, vêm à presença de V. Ex. para, por seu intermédio, oferecer ao Povo e à Cidade de Teresópolis, a tela a óleo intitulada “Saudação à Bandeira”, […] Serviu de cenário à obra o pátio externo da Escola primária ‘Dr. Hygino da Silveira’ […] onde tôdas as manhãs, antes de dar início às aulas, entoavam as crianças com vigor patriótico, o Hino Nacional, enquanto era içado o Pavilhão auri-verde. O artista retratou com rara felicidade êste comovente e solene instante e, como que desejando imprimir à sua obra um cunho de inconfundível Brasilidade, fêz constar da cena, como expectador atento, a figura impoluta do grande Presidente Getúlio Vargas – facilmente reconhecível apesar das diminutas dimensões da figura – detalhe que imprime à composição um sentido de maior dignidade, afirmando seu valor histórico. […]”. Os outros documentos tratam da venda desta pintura à Francisca Nivalda de Oliveira Silva, em 27 de janeiro de 1983, são recibos e uma declaração que os acompanhava, esclarecendo: “[…] que o quadro em questão permaneceu algum tempo exposto em dependências da Prefeitura Municipal de Teresópolis, à qual tinha sido oferecido graciosamente pela familia do artista no ano de 1963. Entretanto, a oferta em questão não chegou a se concretizar por instrumento legal (termo de doação ou escritura) por desinteresse da mesma prefeitura que também nunca acusou o recebimento do quadro. […] Por volta de 1968 representante da familia Visconti procurou o então prefeito Flavio Bertolucci reclamando do mau estado de conservação da obra e da falta de uma utilização condigna da mesma. O referido Prefeito, pessoa culta e amante das artes, resolveu então devolver o trabalho aos cuidados da familia, alegando falta de recursos para sua restauração e manutenção […]. Desde então o quadro permaneceu cerca de 15 anos ininterruptos na residência, em Teresópolis, do professor Henrique Cavalleiro e de seus filhos, até o ano de 1983, sem que a Prefeitura de Teresópolis se interessasse mais pelo assunto ou se manifestasse de algum modo a respeito.” A pintura foi doada à Pinacoteca do Estado de São Paulo, in memorian de Antonio Luiz de Almeida Brennand Neto, em 20 de dezembro de 2002, permanecendo por um período em exposição, e depois guardada na reserva técnica.

Nesta homenagem à bandeira brasileira, que aparece ainda em esboços para decorações não realizadas [P703; P717], Visconti deixa registrado seu amor por sua pátria de adoção e a preocupação, várias vezes externada em entrevistas, com a educação da juventude, incluindo também, na saudação ao pavilhão nacional, Yvonne e seus dois filhos. M. Izabel Branco Ribeiro destaca esta pintura na Galeria da Coleção Grande Pintores Brasileiros: “Visconti não pinta a saudação à bandeira como o cumprimento de um ritual escolar diário, mas como festa cívica repleta de entusiasmo. A composição confere grandiosidade à arquitetura neoclássica da escola, que toma ares majestosos de monumento. […] O uso que Visconti faz do pontilhismo nesta pintura é muito adequado ao propósito da obra: apresentar uma alegoria sobre a importância da educação cívica. Ao transformar uma ação cotidiana em festa, o artista a desloca para o território mítico e atemporal. Para tanto, usa recursos pictóricos a fim de construir uma atmosfera irreal. Por meio das pequenas manchas de cor que o pontilhismo possibilita, cria a névoa lilás no último plano, ligeiramente amarelada no plano médio e em tons mais aquecidos no primeiro plano. Outro ponto a se notar é o modo como constrói com manchas cromáticas a bandeira, usando as complementares para criar zonas de sombra, e também como dirige o olhar do observador com pequenas manchas de verde e vermelho distribuídas pelo plano média da pintura, inclusive no vestido de Yvonne”.


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