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P407 - Volta às trincheiras


Assinatura

Procedência

Coleção Waldemar Eduardo Magalhães
Coleção Maria Thereza I. Ribeiro de Barros
2000 (dez.) – Dan Galeria, São Paulo

Localização Atual Exposições Individuais Exposições Coletivas Publicações Comentários

Apesar de viver na Europa com sua família durante todo o período da Primeira Guerra Mundial, tendo se refugiado em Saint Hubert, Visconti não deve ter vivenciado seus conflitos de perto. Somente duas de suas pinturas a óleo, dentre as conhecidas, abordam de forma muito suave o tema da guerra. Esta seria a mais direta, pelo uniforme do cavalheiro que beija a mão da moça tímida. No álbum da família, do acervo do Projeto Eliseu Visconti, há uma foto de um soldado vestido com a mesma indumentária, e para a figura da moça, certamente a modelo foi Yvonne. Um detalhe curioso é o grupo de pessoas que espreitam por trás do galpão, que existe ainda hoje na propriedade dos Palombe, em Saint Hubert. As flores vermelhas que cobrem suas paredes expressam a paixão do soldado mais que o seu gesto cerimonioso e contido. Uma tela iluminada e de colorido intenso, cujo único detalhe que poderia simbolizar a saudade que se avizinha é o tronco quase seco bem à porta do galpão. Por suas dimensões e cuidado na elaboração, é provável que Visconti tenha criado essa pintura com a intenção de expô-la no Salon de Paris, em 1919, o primeiro depois que, em 1915, foram suspensos por causa dos conflitos, e contou inclusive com uma seção especial “Œuvres des Artistes Mobilisés”.

Participou da 30ª EGBA, sob o nº 242, como Despedida. Com esse título, foi reproduzida, em tricromia, na Illustração Brasileira, de 1923. Participou da Sala Especial da II Bienal de São Paulo, em 1954, com o título L’Adieu, e a data de 1917. Por ter sido antes exposta e reproduzida com o título Despedida, e ter este tema em comum com outra pintura de Visconti presente na Sala Especial, o jornal O Estado de S. Paulo, publicou sua legenda trocada com a da pintura Visita [P145], que na ocasião foi exposta como Despedida. Um seu antigo proprietário conta que, recebendo, em março de 2003, a visita de representantes da Sotheby’s de Paris e de New York (Andrew Strauss; Stephane Cosman Connery; Roberto J. Caballero; e Alejandra P. Rossetti) o primeiro a entrar na sala ficou extasiado diante desta pintura de Visconti, e chamou os outros para ver o “Monet” dos grandes, que havia ali. Figura na capa da Ilustração Brasileira de set./out. de 1956 e do volume 18 da coleção Grandes Pintores Brasileiros. Neste volume, M. Izabel Branco Ribeiro escreve sobre ela: “Para descrever a despedida de um soldado prestes a voltar ao campo de batalha, Visconti usa aqui as pinceladas livres e cores intensas das paisagens pintadas na fase de Saint-Hubert. (…) O soldado fardado e equipado se inclina em mesura triste e galante para uma moça trajada com apuro, que lhe estende a mão, resignada, evitando mostrar-lhe o rosto”.


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