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P918 - O lar (Tríptico)


Assinatura

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Inscrições

No painel direito, além da assinatura habitual, também a localidade "Rio", e a data "1922".
Nos outros dois painéis, apenas as iniciais.

Procedência

Coleção Manoel de Souza Varella (S. Paulo)

Localização Atual Exposições Individuais Exposições Coletivas Publicações Comentários

Num dos blocos de anotações do artista, do arquivo do Projeto Eliseu Visconti, pode-se ler um pequeno relato em forma de diário sobre o sarampo que acometeu primeiramente Tobias e depois Afonso, seus filhos, entre os dias 2 a 26 de fevereiro de 1917, em Paris. Mesmo que não tenha sido essa doença que inspirou o tríptico, o relato mostra o interesse minucioso do pai pela saúde de seus filhos. O tema das doenças era muito comum na passagem do século, principalmente na estética decadentista que enaltecia a dor, o sofrimento, a morte e até a decomposição. Para o temperamento de Visconti, sempre voltado para o lado luminoso da vida, somente a convalescença seria digna de atenção, tendo sido tema já abordado anteriormente [P908]. O tríptico chegou a ser desmembrado e as telas vendidas separadamente, porém, foram novamente compradas por um mesmo colecionador e emolduradas conjuntamente. Lygia Martins Costa em sua “Apreciação da Obra”, de 1949, observa: “Dêsses [retratos de família], o tríptico ‘Lar’ – 1922 é seu trabalho mais importante. Executado na mesma ocasião que ‘O colar’ é, no entanto, muito mais sóbrio em todos os seus aspectos. É um estudo de expressões emotivas, principalmente.”

Na biografia de Barata, 1944, sua reprodução é acompanhada da seguinte legenda: “Premiado com a Medalha de Honra no Salão do Centenário em 1922”. Embora, por definição, a Medalha de Honra seja conferida ao conjunto da obra de um artista, não sendo especificada nenhuma pintura em particular no seu certificado [PR1922], na prática, o júri procurava se basear numa obra que atendesse aos critérios de excelência e estivesse presente na exposição em que a medalha era conferida. O tríptico foi reproduzido também num recorte de jornal ou revista não identificado, da pasta do pintor no MNBA, no qual os três painéis receberam sub-títulos:

a. Enfermidade: No painel da esquerda, o menino Tobias aparece em primeiro plano afundado nos lençóis e travesseiros, com o semblante bastante abatido. Enquanto o médico toma o seu pulso observando um relógio de corrente, a mãe zelosa, Louise, aparece por sobre o seu ombro, levando um lenço ao rosto, o que indica a gravidade da doença. Atrás dela, vários frascos estão sobre uma mesa, representando os vários medicamentos usados no tratamento.
b. Cuidados maternos: Ao contrário da mulher-vampiro, tema caro aos artistas da passagem do século, a mulher em Visconti tem sempre uma ação benevolente, em todos os sentidos e durante toda a sua carreira, mas em especial, a figura da mãe. Louise é constantemente tomada como modelo e exemplo de mãe, sendo nesse tríptico a personagem principal. No painel central, ela está debruçada sobre o leito do filho, e cuida de lhe abaixar a febre (atitude ressaltada por Visconti no diário de fevereiro de 1917) com um lenço úmido sobre a testa.
c. Convalescença: No painel da direita, Tobias já está sentado na cama, com um casaco de lã sobre o pijama, e um prato de frutas no colo. Esses detalhes lembram o relato de Visconti em 1917, que cita o extremo frio daqueles dias e a volta do apetite no período da convalescença. Louise, sentada ao lado do filho com um livro, lê para ele, cuidando também de diminuir-lhe o tédio.
Cada painel mede 80 x 63 cm.


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