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P622 - Quaresmas


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A localidade "Rio" e a data "1942", logo abaixo da assinatura

Procedência

1949 – Propriedade da viúva do artista
1973 – Leiloada pela Galeria Collectio Artes, São Paulo

Localização Atual Exposições Individuais Exposições Coletivas Publicações Comentários

Palco tanto de lazer como de trabalho, os fundos de quintal sempre foram temas pictóricos dos mais caros a Visconti [P556; P558; P647]. Nessa composição, ele parece ter reunido todo seu significado afetivo e efeito plástico. A maioria da pintura foi realizada em pinceladas dissociadas, com exceção das figuras principais, que ganham um pouco mais de nitidez, e das roupas no varal, ponto de concentração da luz. Louise, a esposa do pintor, sentada em sua cadeira observa várias pessoas em suas atividades: logo à sua frente, uma mulher, provavelmente Yvonne, está curvada sobre um objeto que não é possível identificar; mais adiante, outra mulher estende roupas no varal, auxiliada por duas meninas que a ladeiam; espalhadas por todo o quintal, algumas quase imperceptíveis pela dissolução do desenho em manchas coloridas e conseqüente camuflagem na relva, várias outras crianças recreiam-se numa simbiose perfeita com o ambiente. As quaresmeiras floridas que dão nome à pintura ocupam altivas a parte central da metade superior da composição. Por trás delas, o barranco caracteriza a localização da cena, na parte de trás do terreno de Visconti em Teresópolis, um pouco à direita da casa [P619; P625]. No acervo do Projeto Eliseu Visconti há uma foto antiga destas quaresmeiras exatamente do mesmo ângulo, e com algumas peças de roupas estendidas logo abaixo. A proprietária da obra desde 1973, conta que numa determinada época do ano, e horário do dia, o sol entra pela janela e ilumina a tela de tal forma, que as figuras parecem ganhar vida, e as roupas no varal, movimento.

Lygia Martins Costa comenta em sua “Apreciação da Obra”, no catálogo da Retrospectiva de 1949: “Na paisagem ‘Quaresmas’, sua procura no sentido de obter o máximo de atmosfera e luminosidade fôra coroada do maior êxito. Ali parecera juntar o divisionismo à pincelada corrida, lisa, e obtivera não só a vibração do ar, fazendo cintilar as quaresmas variavelmente coloridas, como a calma repousante da cena familiar sob sua folhagem. A roupa no varal em pinceladas largas, refletindo tôda a luz coada por entre as flores luminosas, é magnificamente conseguida”. E Mário Pedrosa, que a considerou uma das realizações mais primorosas de Visconti, escreve sobre ela na ocasião: “O ar vibra na paisagem, envolvendo as figuras entrelaçadas na atmosfera. Nada mais fascinante do que êsse jôgo sutil de esconder entre a luz e a cor, o ar e o ambiente, as personagens e as árvores e flôres. A luz brilhante é coada nos panos estendidos, e se concretiza em matéria colorida nas fôlhas das quaresmas, no ar, nas figuras, em mil variações de tons. A pintura Florada [P952], pela coloração e formato das flores, sugere ser um estudo para a copa das árvores que dão título a esta grande composição. A luz se adensa, pesando sensualmente nas sombras”. Na revista O Cruzeiro, 1973, foi reproduzida com o título Quaresmeira, e a informação de que alcançou o preço de Cr$ 70.000,00, no leilão da Collectio.


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