José Roberto Teixeira Leite

Eliseu Visconti - Catálogo da Exposição Comemorativa do Nascimento de Eliseu Visconti no MNBA - 1967

Durante os quase sessenta anos pelos quais se distendeu sua carreira, foi Eliseu Visconti um inquieto, um pesquisador perene, sempre à procura de novos caminhos para dar vazas à própria personalidade. Seus críticos mais abalizados – Frederico Barata, Lygia Martins Costa, Herman Lima, Reis Júnior, Mário Pedrosa – já lhe distribuíram a produção artística por fases, nas quais repercutem como ecos as influências mais diversas: naturalistas de princípios de carreira, renascentistas do momento de Gioventu, divisionistas (decorações do Teatro Municipal), realistas (Retrato de Gonzaga Duque), impressionistas das paisagens de St. Hubert, enfim neo-realistas dos últimos anos, das paisagens de Santa Teresa e de Teresópolis, quem sabe o momento mais alto, porque mais pessoal de sua atividade pictórica (Revoada de Pombos).

Todas essas fases sucessivas entremostram uma busca incessante por um estilo, uma ânsia de renovação absolutamente inédita num meio e numa época provincianamente acanhados. Sob tal aspecto, mais que por uma tardia filiação aos postulados impressionistas e neo-impressionistas já em decadência na Europa, é que nosso artista se prende ao século XX, e pode inclusive ser reclamado como um precursor do modernismo brasileiro. Mas Visconti é bem mais do que isso: é uma das mais poderosas e completas organizações pictóricas jamais desabrochadas no Brasil, autor de obra extensa e valiosa, um clássico da pintura nacional, no sentido mais lato e profundo do vocábulo.