CR1895 - Carta de Rodolpho Amoedo a Eliseu Visconti – 5 de fevereiro de 1895

  • Tipo de Documento Correspondências - Até 1900
  • Ano 1895
  • Acervo Museu Nacional de Belas Artes - Rio de Janeiro

PÁGINA 2
PÁGINA 3

 

PÁGINA 4

 

Meu caro amigo Sñr Visconti

Recebi o seu cartão de felicitações pelo anno bom e se não recebeu um outro meu é porque de à muito perdi o habito d’estas amabilidades cordias, com a faina que aqui todos nós temos de sobra, para não achar tempo de cumprir tão agradáveis deveres. Recebi agora uma cartinha sua pedindo-me umas informações e então por mais atarefado que eu esteja não posso deixar de satisfaze-lo. Passo pois a dizer-lhe o que penso sobre a sua pergunta com as devidas reservas porque não estou n’esta occasião à testa da direcção da Escola como já deve saber. Eu pessoalmente não vejo senão vantagens na entrega de seus trabalhos annuaes de pensionista em epocha que permita à legação enviá-los para aqui de modo a chegarem no prazo estipulado pelo regimento das Exposições. Mas sempre lhe digo que é bom consultar o nosso Director a respeito e deixando de lado as considerações que agóra faço tomar por norma o que elle lhe disser, não por suppôr que elle vá de encontro ao que lhe digo mas porque assim o Sñr contentará tutt le monde et son père! Digo-lhe que elle não dirá nada em contrario porque já se viu obrigado a ficar no desembolso da quantia que lhe adiantou alli para a remessa que os Sñrs fizeram o anno passado para a exposição que por causa dos [?] Sñr foi por fim adiada. Agradeço-lhe o bom juizo que faz dos meus exforços e da dedicação que sempre consagrei à nossa Escola de Bellas Artes, mas creio que lá não chegou o
juizo de um collega dos muitos que vem da outra banda honrar este paiz com a sua sapiencia porque n’este cazo teria visto que a minha infeliz direcção só trouxe nuvens que o nosso Director em bôa hora veio dissipar. Creio tanto mais na verdade d’este juizo quanto foi o único que apareceu a tal respeito na imprensa diaria e porque foi elle emittido por um collega e companheiro de todos os dias. Em taes condicções eu só posso declarar que fiz o possivel para não enevoar uma athmosphéra em geral tão calma como a da Escola mas como os elementos puderam mais do que a minha vontade e como a inveja e a intriga tudo conseguem em qualquer parte do mundo e sobretudo em nosso paiz as nuvens produziram-se e eu tive a tristeza de as vêr escurecerem todos os serviços que por ventura eu suppunha têr prestado. Paciencia! Chegou a minha vez! Oxalá nunca chegue a sua. Recomende-me ao Frederico e mais amigos. Não sei se já chegou ahi o Madruga? Foi estudar por conta do tio. Agradecendo-lhe as amabilidades que me dirigiu em seu cartão e na carta que tenho presente aqui.
Rodolpho Amoêdo