Nagib Francisco - Catálogo da Exposição Comemorativa do Cinqüentenário de Falecimento de Eliseu Visconti - 1994

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Eliseu Visconti nasceu no dia 30 de julho de 1866, em Salerno, Itália. Veio para o Brasil com cerca de 10 anos e aqui se matriculou no Liceu de Artes e Ofícios (1883) e depois na Academia Imperial de Belas Artes (1885), tendo estudado com Vitor Meireles e Estevão Silva, entre outros.

Na Academia foi dos mais atuantes, tendo pertencido ao grupo dos ‘modernos’, que lutavam pela remodelação de nosso ensino artístico. E seu grupo chegou a se desligar da Academia e formar o chamado ‘Atelier Livre’, que organizou uma coletiva de grande sucesso. Com o advento da República os ‘modernos’ saíram vitoriosos e se reintegraram ao ensino oficial, agora já na Escola Nacional de Belas Artes.

Visconti já tinha marcado sua posição, conquistado 6 medalhas no Liceu e 10 na Academia, sendo chamado de ‘papa-medalhas’.

Em 1892 conquista o Prêmio de Viagem à Europa, por 5 anos, embarcando para Paris no ano seguinte. Matricula-se na Escola de Belas Artes de Paris, na Academia Julian e na Escola Guérin, conseguindo se distinguir em todas elas.

Durante visita à Itália apreciou as pinturas florentinas, que inspiraram ‘Gioventú’ e ‘Oréadas’, com os quais conquistou Medalha de Prata na Exposição Universal de Paris em 1900.

Visconti retornou ao Brasil em 1900 e, no ano seguinte, realizou exposição individual na Escola Nacional de Belas Artes, com trabalhos que alcançaram grande repercussão.

Visconti foi um dos pintores que mais se auto-retrataram na História da Arte de todos os tempos, ao lado de Rembrandt, Van Gogh e Pancetti. Pintou também retratos memoráveis como os de ‘Gonzaga Duque’, ‘Nicolina’, além de inúmeros retratos da família.

Sua decoração do Teatro Municipal é monumental, pela grandiosidade da execução e ampla superfície decorada (640m²), quase equivalente à que Miguel Ângelo pintou na Capela Sistina.

Em 1908 assume o cargo de professor de Pintura Histórica na Escola Nacional de Belas Artes, cargo em que permaneceu até 1913, quando pediu demissão. Foram seus alunos: Henrique Cavalleiro, Marques Júnior, Raimundo Cela, Agenor de Barros, João Batista Bordon e Manoel Santiago (este último em curso particular).

Em 1916 vai a Paris pela última vez e, em 1920 retorna em definitivo ao Brasil.

Eliseu Visconti foi o precursor do modernismo entre nós, tendo absorvido na Europa as teorias de vanguarda. Essas suas palavras bem o demonstram: ‘O espírito quer renovação, e é a própria natureza que nos impele a esse movimento. Nela nada está parado’.

Visconti sofreu assalto em seu atelier, na Av. Mem de Sá, em julho de 1944, vindo a falecer em outubro do mesmo ano. Já foi dito que a Eliseu Visconti se aplica o que John Ruskin, crítico de arte inglês, disse de Velazquez: “Pintando o amor, o ar, a cor, a luz das coisas que não se gastam, pintou as horas que vão à eternidade.”