Plafond

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No Pano de Boca do Theatro Municipal, o tema exigiu de Eliseu Visconti fatura mais linear, observando-se características impressionistas apenas ao fundo da composição. Já a execução da decoração do “plafond” sobre a platéia leva o artista a exibir influências do impressionismo e do pontilhismo, aliados ao linearismo botticelliano.

Denominado por Visconti de “A Dança das Horas”, o motivo escolhido para a decoração do plafond é assim descrito por Nagib Francisco (Vida e Obra de Eliseu Visconti – aguardando publicação): “No plafond, o estilo pontilhista que usou é de grandiosa execução e a concepção artística sumamente feliz. Nessa composição, os personagens dançam interligados, ao passar dos dias e das noites, em eterno movimento, lembrando “a ronda dos destinos humanos”. As horas correspondentes aos dias estão representadas em cores claras, e as das noites, em cores de leve penumbra.”

Flexa Ribeiro, em artigo para o Jornal do Commercio, em 1950, diria sobre o plafond: “A observação para o teto, na perspectiva plafoné, oferecia reais dificuldades. Logo de início se devia considerar as peripécias do ponto de vista do observador que está na platéia. E o mestre não se afastou dessa obrigação, tanto que as rondas das figuras que povoam aquele campo ornamental entram num movimento circular, permitindo em qualquer situação que se veja, cada vez que se olha, a roda festiva das dançarinas a iniciar o airoso movimento coreográfico”.

A pintura circular do plafond foi executada em oito seções que deveriam ser dimensionadas para se encaixarem perfeitamente. O alemão Stalen Brecher auxiliou Visconti, executando os cálculos matemáticos necessários.

No plafond Eliseu Visconti não nos quis instruir nem contar uma história, como no Pano de Boca, mas simplesmente executar uma pintura decorativa para o deleite e a alegria dos olhos. A cor clara e harmoniosa, aplicada em pequenos toques, é um dos elementos fundamentais dessa decoração. Visconti, em suas anotações, fez referência a essa técnica ao observar as pinturas de Henri Martin. E é o próprio Visconti quem define o plafond como um poema de alegria e luz (Ana Maria T. Cavalcanti - tese de doutorado).