4º Período - 1913 - 1919 - Impressionismo da Decoração do "Foyer" do Teatro Municipal e das paisagens St. Hubert (França)

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“A segunda encomenda para a decoração do nosso Teatro Municipal leva Visconti de novo à Europa. É o “foyer” dessa vez, já por todos consagrado como a obra prima do artista e das decorações mais belas da arte de nossos dias. Para executá-la volta Visconti ao impressionismo. O estilo tinha que ser, tanto quanto possível, semelhante ao das demais decorações que já fizera no Teatro. Mas o artista evoluíra e, não abordando a técnica pela primeira vez, supera-se a si mesmo.

De três partes compõe-se a decoração: um grande painel central retângulo de cerca de 16 metros de comprimento e de dois pequenos laterais, em asa de cesto. Uma “alegoria à Música” é o motivo do principal, e “Inspiração musical” e “Inspiração poética” os painéis complementares. É uma sinfonia lindíssima de tons que vão, no painel central, do rosa ao azul, passando por todas as gradações suaves do violeta, tendo nos painéis laterais seus centros de irradiação do vermelho num, e do azul, noutro. O mais interessante é que na composição desses tons suaves entram cores como o vermelho, o azul ultramar e o amarelo, diferentemente distribuídos de modo a obter o máximo de vibração no efeito geral. Numa atmosfera de sonho, movem-se graciosamente nus femininos e anjos, tocando toda a variedade de instrumentos de musica. Há uma delicadeza extrema no tratamento das figuras executadas, como já víramos no “plafond”, em pasta mais lisa do que o resto da composição em técnica divisionista.

Enquanto trabalhava nessa decoração, Visconti executava inúmeras paisagens de Paris e de St . Hubert, sobretudo. As que executou tão logo chegou do Brasil ainda apresentam sombras escuras. Mas clareia sua paleta, substitui os castanhos pelos violetas, bem patentes em “Leitura à Beira-Rio” “Sob a Folhagem” (uma jóiazinha que tanto nos lembra Pissarro), “Tetos de Paris”, “Outono em St. Hubert”, etc. Mais tarde, para as sombras, usa, ao invés do violeta, o oca, o que dá uma coloração geral dourada.

Desse período de paisagista de St. Hubert têm que se destacar, como fases distintas na pincelada, “Ronda de Crianças”, ainda um tanto conservadora, “Flores da Rua”, mais vivo pelas pinceladas curtas e interrompidas, e “Cura de Sol”, executada bem pouco antes de voltar para o Brasil, com o contraste bem nítido do tratamento impressionista da paisagem com a fatura lisa na representação das figuras.

No esplêndido “Retrato da Família do Artista” de 1916, vê-se o colorido de tons baixos e sombras verde-escuras e a composição cerrada nas cinco cabeças agrupadas com aparente displicência. Mas essa tonalidade sombria traz em si muito do que apreendera na prática do impressionismo. Já o retrato de sua filha em 'Meditando' é claro, alegre na superposição de tons de rosa e vermelho sobre o verde-claro do ar livre. As sombras são finalmente coloridas. E na 'Cura de Sol', que citamos há pouco, as sombras são mais tênues, provavelmente devido à reverberação do sol”.