3º Período - 1909 - 1912 - Do Divisionismo Ao Realismo (Brasil)

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“Terminando a primeira encomenda para a decoração do Municipal em 1908, vem Visconti ao Brasil para instalá-la e tomar posse do cargo de professor da Escola Nacional de Belas Artes para que fora nomeado. Chega um divisionista da França e sob essa influencia executa seus primeiros trabalhos aqui. “A Rosa”, de 1909, é quase que inteiramente nessa técnica. Os trabalhos seguintes aos poucos vão perdendo esse caráter. Em “Morro do Castelo”, o céu de fundo azul mais forte, anuncia o período realista da sua pintura no Brasil e a volta à paisagem, fase interessantíssima da “Crisálida” e “Recanto do Morro de Santo Antonio”. A “Crisálida” ainda retém um certo divisionismo na figura do primeiro plano. Caracteriza ambos um colorido forte, emprego de tons quase puros, o máximo efeito de contrastes pela superposição de complementares e passagens bruscas de luz para a sombra, sombras castanho-arroxeadas e o aparecimento do azul em nova tonalidade de verde. “Os Patinhos” e “Bolhas de Sabão” obedecem à mesma técnica.

Se esse primeiro contato com o divisionismo francês aguçou sua sensibilidade a ponto de levá-lo a alterar sua paleta diante da natureza, pouco influiu, entretanto, quando o pintor trabalhava no atelier. Bons quadros desse período, tais como ”Boa-noite”, “Primavera”, “Estudando a lição”, e os retratos de “Alberto” e “Gonzaga Duque”, marcam um retorno progressivo aos castanhos que usava em época anterior. “Boa-noite” é de grande delicadeza. O fundo ainda divisionista destaca o grupo em pincelada lisa, pasta luminosa, sobretudo no bebe adormecido ao colo da mãe e da garota que o beija. Todo o resto está na penumbra. Em “Primavera”, a cabeça e o corpo juvenil nos impressionam pelo realismo do modelado sobre a meia sombra. O vermelho da cadeira e da flor ao cabelo da menina dão uma nota quente e viva ao castanho dourado de seu corpo. “Estudando a Lição” não é tão realista, qualquer coisa de indefinido contrasta com o feixe de luz intensa sobre o canto da mesa. O “Retrato de Alberto” é triste e dramático em seu rosto abatido, as mãos nervosas, os olhos sérios e indagadores. O colorido sombrio, o verde escuro da roupa e as sombras violentas ainda acentuam esse caráter.

Já “Gonzaga Duque” é de um realismo saudável. Embora os castanhos dominem absolutos, salientando mão de mestre na riquíssima gama com que se exibe, a nota branca do colarinho e do punho da camisa comunicam ao conjunto uma vibração estimulante. Figura quase em movimento, sombras pouco demarcadas obtidas com sutileza, a epiderme bem sentida na superposição de tons quer mais claros, quer mais escuros, apresenta-se em modelado magnífico, sobre fundo escuro. Junto com o “Retrato de D. Nicolina” de 1905, “Gonzaga Duque” se recomenda dentre o que de melhor se fez no gênero na pintura brasileira.

Ainda executou Visconti duas decorações para a Biblioteca Nacional, alegorias á “Instrução” e ao “Progresso”.